domingo, 1 de agosto de 2010

Bom Te Ver

Cabelos enrolados caídos sobre a pia
Esmalte vermelho-fosco descascando
Então, encontro-me andando
Entre fotografias e digitais em meus lençóis
Teu gosto, batom rosa-claro nas dobras do papel
Nossas ruas, talheres, imagens, deixadas ao fel

Bem-te-vi, bom te ver
Vá, voar bem longe daqui
Torna-te lindo contra o Sol
Não hei de ofuscar o teu ser

Beijos ardentes que não ardem
É mentira, mentira que não desperta ira
Tampouco agrada
Não te atrevas a acomodar-te em minha calçada
Está claro que nem ao menos prossegue interessada
Sua comodidade é a minha também

Bem-te-vi, bom te ver
Já cumpriu teu dever
Dispersou nossos dias cinzas
Fez sorrir, fez dançar
Agora vá, pode voar

Mostrei-te esse novo mundo
Era um enorme oceano e mergulhamos fundo
Essa estrada sequer nos pertence
Mas têm sido dias tão adoráveis
Agora, brota amor em minhas horas improváveis

Bem-te-vi, bom te ver
Agradeço-te pelo vasto calor
É tão oblíquo e amável
Afasta meus olhares sem cor

Posso afirmar-te sem rancor:
Bem-te-vi, bom te ver
Permaneça por mais algumas horas
E não te deixes abater, deixe o meu Sol te aquecer

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