domingo, 25 de julho de 2010

Dilacerado

As pessoas, às vezes, são como pombos. Empoleiram-se, depois voam para longe. Voam de volta para seus lares. E eu, ali continuo, esperando meus olhos cansados e minhas mãos começarem a enrugar. Sinto-me tão impotente, tão futilmente arrasada.
Meu lugar nunca foi e nunca será aqui. Aqui, continuarei sendo uma desconhecida, um pombo empoleirado para sempre.
Meu copo vazio, o gosto de álcool nas bordas. Minhas mãos geladas e o silêncio local. Ainda há cinco anos pela frente, até a comodidade invadir minhas entranhas e fazer-me permanecer aqui. E tudo aquilo se tornará mais uma de minhas ilusões. Então, encontrarei muitas companhias, muitos ouvidos atentos, para depois queimá-los vivos. Depois, chegarão a decepção e o desapontamento, que serão minhas novas companhias.
Pessoas fizeram-me odiar o meu mal necessário. Talvez eu precisasse de algum tipo de isolamento. Os lugares estão sempre tão cheios de gente...
As lembranças e os caminhos errados me trouxeram até aqui. E aqui permaneço. Até as coisas terminarem de apodrecer.

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