Caminhando pelas ruas, tão cheias de tudo, tranquei-me em meu silêncio.
Certo momento, possuí um desejo ardente de ser a mulher com uma flor entre os cabelos, andando em sua bicicleta.
Sua existência era única, suas tranquilas feições relatavam paz.
Eu não desejava sua vida, desejava o calor abstinente da minha.
Na minha boca, o repugnante gosto de uma fuga.
A desordem e o cinismo ao meu redor.
Pior, apenas a aceitação de causas perdidas.
O conformismo despedaçando-me em dois.
Burros somos nós, apaixonados pelos sentidos. O que dá forças, o que dá sabor, o que promove sonhos. O suposto eterno.
Inteligentes são vossas senhorias. Sozinhos dizem-se mais capazes.
Suponho que manter os pés no chão, possuindo sentimentos e amores diários seja uma escolha provida de muita inteligência.
Desculpem-me pela minha inveja e sarcasmo escancarado.
Acho interessante as teorias primatas de quem se envolve em milhares de páginas de um livro diariamente.
Ironicamente, nunca precisei de sequer uma estrofe para encontrar minhas respostas.
Ainda invejo a inteligência de quem casou-se com o vazio.
Dentro do vagão, meu destino se aproximava.
Minha casa não é o meu lar.
O meu lugar está entre as grandes e rochosas montanhas verdes.
Eu estava lá e lá permaneci. De onde jamais deveria ter partido.
O concreto se foi, o abstrato ficou.
Nisso me apego, conforto tragado.
Sinto a paz da mulher em sua bicicleta.
Eu havia guardado algo maior para o meu final.
Todas as águas não foram em vão.
Todos os erros, aprendidos.
E aqui deixo apenas uma lágrima para o vínculo que não foi perdido.
O amor não corrompido.
O burro e os sentimentos não esquecidos.
Aqui está a minha paz.
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