Encontrei seus sentimentos que estavam escondidos debaixo do tapete persa. Logo agora, nesse momento meio mórbido, meio fraco dos meus dias inquietos.
Decepção não seria a palavra certa, pois este já é um assunto encerrado. O que eu admiro é a sua doença, a maior de todas, o que eu chamaria de "Síndrome do Desgaste". Onde você se depara com o cansaço e a falta de interesse, simplesmente desiste e vai embora. Essa sua doença é psicológica e terminal. Provavelmente a culpa está nas cartas. A culpa é da Dama de Copas, que fez você perder todo o seu dinheiro e fama.
A Dama de Copas foi culpada em querer sentir o calor de suas mãos. O problema é sua admiração pela palavra Amor. E o significado? Nem tanto. É difícil acreditar enquanto todos apenas querem um pouco mais de diversão. O problema, também, é a sua falta de encanto. A Dama de Copas é apenas mais uma carta naquele imenso baralho, sem nenhum destaque. E assim, pode-se retornar a "Síndrome do Desgaste", porque, na verdade, essa doença não está contida apenas em você. Está contida em toda a rotina, está contida na falta de novidade que envolve essa carta.
É desgastante a falta de amor entre as pessoas. E o seu desgaste corroeu metade do seu cérebro, atingindo todas as lembranças que envolviam a tal Dama de Copas. Esta é uma carta muito frágil, dobrável e meticulosa.
De tão triste que só, obrigou-se a arrancar seu próprio coração com as unhas. E era de toda compreensão, a destruição do passado, do significado mais próximo de "Amor" que ela havia visto, que não fora platônico. Era tão forte, que apenas a fumaça escura que sobe e some, poderia fazê-la esquecer. E assim, fora dissolvido, diluído e evaporado. Como se jamais houvesse existido.
A Dama de Copas usa armadura, pela qual esconde seu frágil coração. Porém, após toda neblina e fumaça, ela ainda não sente-se capaz de deixar-se levar pela sociedade dos falsos poetas e parar, de uma vez por todas, de tentar entender o verdadeiro significado da palavra "Amor", pois já esteve tão perto...tão perto.
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