sábado, 21 de agosto de 2010

TV em cores

Foi-se o tempo da caverna
Inteligência flutuante e dor interna
Flores de plástico e sorriso elástico
Vai e volta, entre um "Bom Dia" e uma "Boa Tarde"
E durante a noite, arde
Arde no sigilo, bem dentro do peito

Enquanto meu corpo descansa em leito
Abelhas rodeando minha mente
Transformam o fel em mel
O bruto em claro
Óleo quente

Não posso mais negar
tal brilho dissimulado em meu olhar
É ele, apenas ele agora
Será que isso realmente importa?
Ou, talvez, vá embora

Como se atreve?
São minhas promessas se despedaçando
É só ele, apenas ele
Dois segundos, está começando
Está combinado, será assim até o fim
Até o fim do dia, da semana, temporada
Não importa, pensar assim me deixa cansada

Quanta vergonha, ora essa
Mas tudo bem, estou sem pressa
Chegue mais perto agora
Vamos observar as árvores balançadas pelo vento lá fora
Eu só preciso que me ouça falar
Palavras vazias que enchem o tempo, tentando cativar

E aqui vou eu, escolhendo flores para o meu jardim
Cor-de-rosa e alecrim
Só para ele gostar e colher de minha alegria
Meus abraços e minha companhia

Vou escolher uma TV à cores e o sofá mais confortável
É apenas ele e minha timidez, tentando ser amável
É, apenas ele por hoje.

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