quarta-feira, 6 de abril de 2011
Sinfonia de Liszt
Madalena dos cabelos enrolados e cor de caramelo. Olhos redondos e vestido rendado. Ouvia a Primavera chegando ao som de um violino Stradivarius. A distância de sua cama até o livreto repousado na janela, que possuía a partitura de Liebestraum, era infinita aos olhos de Mad e seus pés cansados a prendiam em leito. Seu pai encontra-se na casa de repouso, tuberculoso. Resta-lhe o piano e Liebestraum. A doença é fatal e Mad está sozinha. Olhando para o salão, lembra-se das festividades organizadas por seu pai. Não há nada de novo. Ser a única herdeira atrai cobiça. Atrai os homens e suas armas. Madalena enxerga uma parede branca quando tiram-lhe a venda dos olhos. Seu pai não pagou cada centavo de sua dívida, agora seus bens seriam levados pelo Estado. Tudo ao redor de Mad começa a tornar-se branco como a parede que havia visto. O homem de gravada afrouxada que segura a arma sente cheiro de talco e leite de rosas, pouco antes de puxar o gatilho. Pobre Madalena, ajoelha-se com suas pernas aos prantos, estica seus braços finos e coloca-os em seus ouvido, prendendo a respiração, em uma tentativa de não sentir a bala atravessando seu corpo. O homem sente uma leve misericórdia pela menina, quando olha para o alto e vê a imagem da virgem Maria amarrada na parede por um arame. A arma é disparada e o peito de Mad é perfurado, como se fosse uma frágil folha de papel. Não houve tempo para a dor se manifestar, a falta de ar é seguida pela inconsciência e a elevação do espírito frustrado e inocente de Madalena.
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